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Como terapia focada na saúde mental dos pais revoluciona tratamento para crianças

Como terapia focada na saúde mental dos pais revoluciona tratamento para crianças

Abordagem enfatiza a preparação parental antes da entrada da criança no tratamento

Não é segredo para ninguém – tampouco um mistério sem solução -, mas diariamente pais e mães procuram terapias, diagnósticos, respostas para comportamentos dos mais diversos dos filhos, seja por questões emocionais, psicológicas e/ou relacionadas ao desenvolvimento dos pequenos. Mas a resposta pode estar em um tratamento que se inicia por eles mesmos. A Terapia Comportamental Dialética para Crianças (DBTC) traz um modelo inovador que coloca os pais no centro do processo antes mesmo da participação dos filhos. Diferentemente da abordagem tradicional da DBT para adultos e adolescentes, esse protocolo reformulado exige o comprometimento parental como pré-requisito para que a criança inicie o tratamento.

Segundo Vinícius Guimarães Dornelles, especialista em Terapia Comportamental Dialética e diretor geral da DBT Brasil, a estrutura desse modelo se diferencia ao priorizar o treinamento parental antes da entrada da criança. “A primeira avaliação acontece com os pais e com a criança. Mas, para que a criança inicie o tratamento, os pais precisam alcançar critérios de prontidão”, explica.

Na prática, o tempo de preparo dos pais pode variar de semanas a até um ano e meio, dependendo da necessidade de desenvolvimento de habilidades parentais. “Os pais perguntam quando a criança entrará na terapia, e a resposta é que isso não depende do terapeuta, mas da evolução deles mesmos”, acrescenta Dornelles.

A psicóloga Êdela Aparecida Nicoletti destaca que essa metodologia busca garantir um ambiente familiar mais estruturado para a terapia infantil. “A criança só entra na terapia quando os pais estão prontos para recebê-la no tratamento. Enquanto isso, ela pode continuar acompanhada por outro terapeuta ou até mesmo passar por um tratamento psiquiátrico, se necessário”, afirma.

O impacto desse modelo na efetividade do tratamento infantil ainda está sendo analisado, mas especialistas acreditam que a preparação parental fortalece a sustentação dos avanços terapêuticos da criança a longo prazo. “Quando os pais chegam preparados, a terapia infantil se torna muito mais eficaz”, pondera Dornelles.

A configuração do tratamento inclui sessões semanais de 1h30, sendo 30 minutos com a criança, 20 minutos com os pais e 40 minutos de treinamento conjunto de habilidades. Esse formato visa alinhar as estratégias de regulação emocional e resolução de conflitos entre pais e filhos.

O modelo segue os princípios da DBT, mas com ajustes importantes na hierarquia de alvos terapêuticos e no conceito de controle interno. Além disso, o coaching telefônico, uma das ferramentas fundamentais da DBT, é realizado exclusivamente com os pais. “A didática das emoções foi incorporada à terapia individual, e não mais ao treinamento de habilidades, garantindo um acompanhamento mais personalizado”, explica Dornelles.

Essa abordagem se diferencia da DBT para adolescentes, que exige o comprometimento de ambos, pais e filhos, para o sucesso do tratamento. “Se apenas um dos lados se compromete, a terapia não acontece. Já na DBTC, apenas o engajamento dos pais é suficiente para dar início ao processo”, reforça Nicoletti.

Essa abordagem reforça a importância do papel parental na saúde mental infantil, mostrando que, antes de qualquer mudança na criança, os responsáveis precisam estar prontos para apoiá-la no processo terapêutico.

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